terça-feira, setembro 01, 2009

26 anos de amor

Neste mês de setembro faz 26 anos que eu me apaixonei perdidamente por ela. Quando a vi pela primeira vez quase morri. Linda, sexy, sedutora, envolvente e misteriosa.

Naquela época, 1983, um colega meu me mostrou a revista Bê-A-Bá da Eletrônica, do professor Bêda Marques. Junto com a revista ele trouxe uma montagem feita em barra de conectores sindal.

Tratava-se de um flip-flop transistorizado que acendia e apagava dois LEDs alternadamente. Quando eu vi aquilo, que parecia mágica pra mim, decidi na hora: quero saber como isso funciona! Quero saber criar as minhas próprias invenções! Foi amor à primeira vista.

Desde então, nunca mais deixei de gostar de Eletrônica. Comprava todas as revistas disponíveis sobre o assunto. E eram várias: Bê-A-Bá da Eletrônica, Divirta-se com a Eletrônica, Eletrônica Digital, Saber Eletrônica, Electron Eletrônica, Elektor, RIUB (Revista do Instituto Universal Brasileiro), Antenna Eletrônica Popular... Alguém ainda lembra delas?

E eu fazia TODAS (e quando digo TODAS, eu quero dizer TODAS MESMO) as montagens que apareciam nas revistas. O dinheiro era curto, daí eu montava e desmontava os circuitos para reutilizar as peças em outro projeto. Os aparelhos velhos eram os maiores doadores de componentes. Eu aproveitava tudo que fosse possível. Cada centavo economizado era usado para uma revista nova, uma ferramenta que faltava na bancada...

E quando não funcionavam as coisas? A frustração era grande. No início eu não tinha nem conhecimento nem ferramentas para descobrir o que estava dando errado. E o pior: não tinha para quem perguntar.

Aí eu desmontava tudo e começava outra vez. Uma, duas, três vezes... Muitas vezes eram erros bobos... um componente invertido, um capacitor com valor errado... outras vezes o problema era no próprio circuito. O projetista errou alguma coisa ou algo foi publicado errado e aí o negócio não funcionaria mesmo. Mas como saber disso? Eu estava iniciando no mundo da Eletrônica.

E sabes qual era a pior revista neste sentido? A Saber Eletrônica. Eu já tinha até trauma. Pelo menos a metade dos projetos por ela apresentados não funcionavam. Para muitos, a correção dos problemas aparecia uns dois ou três exemplares depois da publicação do projeto. Eram as famosas erratas. Legal, era só seguir as correções que eles apresentavam que tudo funcionava. Mas para alguns projetos que não funcionaram não vieram correções e ficava por isso mesmo. A falha era minha? Não sei.

A Bê-A-Bá tinha uma linguagem muito fácil. Ela foi escrita com tanto esmero, com tanto cuidado e com uma didática tão boa que eu tinha a impressão que o professor Bêda Marques estava conversando comigo. Aliás, este era o enfoque da revista: o professor Bêda Marques usava a revista como a classe de aula que nós, leitores/alunos frequentávamos. Esta foi a melhor revista de Eletrônica já publicada.

Tenho todos os exemplares do número 1 ao 18. Aliás, devo um agradecimento especial à minha mãe, que na época não entendia muito o meu interesse por esse negócio mas mesmo assim pediu os exemplares atrasados (1 ao 7) para que eu completasse a coleção.

Com o passar dos anos, algumas revistas surgiram e outras desapareceram. Acompanhei a mudança no mercado editoral em que as revistas de Eletrônica foram sumindo e as de informática se proliferavam. Ditado pelo interesse dos leitores? Não sei.

A Editora Saber inovou com o lançamento das revistas Mecatrônica Atual e Mecatrônica Fácil. Alguns poucos anos depois, para minha tristeza, a Mecatrônica Fácil parou de ser publicada. As razões alegadas pela Editora Saber foram os custos elevados, o baixo número de leitores e a pirataria. Sinto até hoje. Depois da Bê-A-Bá da Eletrônica, a Mecatrônica Fácil foi a revista de que mais gostei.

Fiz vários cursos de manutenção e trabalhei como técnico. Paralelamente, mantinha-me ativo com meu hobby. Aprendi a fazer as placas de circuito impresso.

Primeiro pelo processo manual, depois com decalques. Daí aprendi a serigrafia, para fazer circuitos com qualidade profissional. Acordava e dormia com a Eletrônica.

Queria conquistá-la a qualquer custo, mas ela, caprichosa, sempre apresentava uma nova faceta, desafiava-me. Quando entrei na faculdade foi uma felicidade sem igual.

Sempre que possível eu estava no laboratório. Era o paraíso: tinha osciloscópio, gerador de sinais, frequencímetro, entre outras coisas. Rapaz, naquela época parecia impossível que eu um dia teria condições de adquirir um osciloscópio.

Eu tinha um carinho especial pelo laboratório. Tinha mais que isso. Tinha ciúmes dos equipamentos. Detestava quando alguém ia utilizá-los e ficava de olho pensando: - se esse filho da p... estragar algo, ele vai ter que pagar!.

E teve uma vez que um grupo de alunos que estava no final do curso foi montar um circuito e ligou errado os equipamentos.
- Está ligado errado. Vocês vão queimar o osciloscópio - eu disse, preocupado em manter tudo funcionando.
- Não está não. - responderam.
- Está sim. E se vocês queimarem essa merda, vocês vão pagar. - falei P da vida com a burrice deles.

Eles não deram ouvidos e queimaram o osciloscópio. Não tive dúvidas. Avisei ao professor Orlando, responsável pelo laboratório, o ocorrido e ele fez com que os idiotas pagassem o conserto. Quase morri de raiva naquele dia. Mas infelizmente eu não podia bloquear o acesso dos outros alunos ao laboratório.

Quando finalmente me formei em Engenharia Eletrônica eu estava desanimado. Vários professores diziam que trabalhar com Eletrônica no Brasil não daria futuro. O negócio era software.

Para completar a desilusão o professor Nélio fechou a sua empresa, que desenvolvia equipamentos para a área de Geologia e montou uma padaria! Uma padaria!

Dá pra acreditar? Ele, a sua esposa e as duas filhas, todos engenheiros, eram sócios de uma empresa de engenharia e mudaram para o ramo da panificação. Por quê? Por quê? Ele me disse o motivo. Era muito mais fácil ganhar dinheiro vendendo pão que vendendo equipamentos. Para não falar na carga tributária, custos de manutenção e operação... enfim, foi um balde de água fria. Fui trabalhar com Telecomunicações.

Estava tão desgostoso que vendi quase todos os meus livros de engenharia, cálculo e física. Meu amor, na época namorada e hoje esposa, ainda tentou me dissuadir:

- Tu vais vender teus livros? Deixa disso. Depois tu vais te arrepender.
- Não vou não.
- Então dê os livros pra mim.
- Não. Vou vendê-los.

Vendi os livros e depois me arrependi. Ela já me conhecia muito bem. Sabia que eu não consigo deixar de gostar da Eletrônica.

Depois comecei a trabalhar com desenvolvimento de software, que é o que faço até hoje.

Por um tempo parei totalmente com as montagens. Aí dava uma recaída e eu comprava uma revista, comprava umas peças e começava alguma montagem. Mas várias vezes faltava algo e eu parava pelo caminho. Por que eu não comprava as peças necessárias e finalizava a montagem? A desculpa que eu dava é que não queria gastar dinheiro, que não achava o que queria nas lojas ou que tinha esquecido de incluí-las na lista de compras. E quando não concluo o que começo pareço um bicho. Fico P da vida, xingo tudo e todos. Nada está bom.

E por que não resolvia isso? A verdade? Não queria me animar com a Eletrônica e depois voltar à realidade dos fatos: vagas para trabalhar com Eletrônica geralmente são coisas burocráticas, gerenciais, relacionadas a vendas ou manutenção. E eu não quero nada disso. Eu gosto é de projetar, montar e testar os circuitos. As poucas vagas que são para trabalhar projetando em geral pagam pouco (pelo menos as que eu vi).

Sempre que recordo disso bate uma nostalgia muito grande. Enquanto escrevo fico lembrando dos planos, das ambições de menino.

O fato é que a vontade de brincar com a Eletrônica nunca me abandonou e às vezes eu fico tão alucinado, com crise de abstinência, que eu pego as peças que tenho em casa e monto alguma coisa. É incrível como relaxo quando estou montando as minhas traquitanas. Quando termino com o treco funcionando estou calmo, bem humorado. Quase (eu disse quase) tão bom quanto sexo :)

Decidi que voltaria aos braços dela. Comecei a estudar o processo fotográfico para a confecção das placas de circuito impresso, comecei a comprar livros novamente. Estabeleci que manteria a meta de, no mínimo, uma montagem a cada 2 meses. Muito longe da marca do passado, mas hoje tenho mais compromissos e menos tempo livre... O importante é que não vou abandoná-la nunca mais, meu eterno amor.

27 comentários:

ProfessionalIT - Soluções em Tecnologia. disse...

Márcio,

Quando comecei a ler o teu post imediatamente me veio na cabeça isso:
http://www.arduino.com.br/blog/
Cara, da uma pesquisada no Google sobre o Arduino !. Tenho visto o pessoal fazer umas loucuras com ele. Inclusive vi na semana passada um robozinho/carrinho controlada pelo celular do camarada.

Anônimo disse...

Pois é Márcio,nós da Editora Saber temos prazer em conhecer a sua história. Se você achar que pode contribuir para o pessoal do nosso meio, oferecendo as montagens que você elabora estamos às ordens entre em contato com artigos@editorasaber.com.br que poderemos publicar na Mecatrônica Fácil que não parou, ela é hoje editada todos os meses em PDF e vendida por meio de assinatura.Mandeu seu email que lhe envio uma de cortesia.Na Eletrônica Total que está nas bancas em setembro,há um curso de Telecom que culminará com a montagem de um PABX a partir de uma placa mãe de PC. Já existe um artigo sobre isto na revista PC & Cia que está nas bancas a partir de hoje 01 de setembro/09.Visite www.sabereletronica.com.br e www.mecatronicaatual.com.br e você poderá ver artigos completos gratuitamente inclusive os da Fácil desde a edição n° 1. Abraços!

Hélio Fittipaldi - editor

Luiz Taborda Bukowski disse...

Fala Marcio blz?

Cara gostei muito do seu texto, li ele atentamente.

Sua história (de amor) é super interessante, espero sinceramente que a partir desse "desabafo" você possa voltar a namorar com o mesmo empenho que antigamente.

Vejo que a través do seu post você já conseguiu ser notado (como pode ser visto no comentário anterior) e que a partir de agora você poderá não somente ser um leitor das revistas que tanto gosta, mas também um "fornecedor de sonhos".

Um grande abraço.

Wanderley Caloni disse...

Olá, Márcio.

Fiquei até emocionado agora (e olha que eu nem curto muito circuitos!).

É uma triste realidade sabermos que muitas pessoas como você possuem esse dom nato e amor por uma determinada atividade e esse trabalho é financeiramente inviável (pelo menos onde moramos).

Eu tive a feliz sorte de trabalhar com o que gosto e dar na cagada de ser o boom dos tempos atuais (software), mas imagino as outras pessoas que possuem tantas outras coisas interessantes para fazer e contribuir com a sociedade e não possuem ainda um caminho a ser trilhado.

Quem sabe um dia você não venha a ajudar a criar esse caminho por onde muitos irão trilhar?

Parabéns pelo texto.

[]s

Marcio Andrey Oliveira disse...

Olá. Primeiro gostaria de agradecer a todos que escreveram. Eu não esperava por isso. Foi uma agradável surpresa.

Agradeço as palavras de incentivo. O blog sobre arduino é muito interessante e comecei a acompanhá-lo com muito interesse.

Agradeço a oferta do Sr. Hélio Fittipaldi e com certeza vou começar a enviar artigos para a revista. Quem sabe um dia não me torno um colaborador permanente? :)

Obrigado novamente a vocês, que dispuseram do seu tempo para me incentivar.

[]s,

Márcio Andrey.

Jeronimo disse...

Marcio, A sua paixão é parecida com a minha, em tempo e cronologia. Adoro a eletrônica: fiz o curso técnico e a engenharia mas logo ficou óbvio que o software era o caminho viável. Fiz a minha carreira na computação, aprendi cobol, java, c , vb , assembler e fui tocando a vida. De repente a paixão retorna ao ler uma Mecatronica Facil: comprei um kit ATMEL at90s2313 e comecei a estudar de novo, montei arduinos, ARM e dessa vez a paixão não tem compromissos e nem preocupações com o futuro e o fim do mes.
Abs
Jeronimo
www,blogdoje.com.br

wmoecke disse...

"(...)E eram várias: Bê-A-Bá da Eletrônica, Divirta-se com a Eletrônica, Eletrônica Digital, Saber Eletrônica, Electron Eletrônica, Elektor, RIUB (Revista do Instituto Universal Brasileiro), Antenna Eletrônica Popular... Alguém ainda lembra delas?"

E como esquecer?!? Comecei a colecionar a DCE a partir do número 9, que coincidentemente, saiu na época do Natal em 1981. Tinha como projeto de capa um circuito para fazer um pisca de natal usando SCR e lâmpadas, ligado na rede CA... e ainda com a plaquinha de brinde na capa!! Que tentação irresistível! Insisti para minha mãe comprá-la, literalmente puxando-a pela mão até a banca de revistas do supermercado Jumbo Eletro do Aeroporto (quem lembra??), e mesmo sem entender, ela satisfez o desejo de um menino de 10 anos...
Folheando a revista, dei de cara com outros projetos muito mais interessantes (Bi-Jogo, um jogo eletrônico com 10 LEDs sequenciados por um 4017, no qual vc tinha que pressionar o botão no tempo exato em que o 8o LED acendesse/Piradona, uma maquina de sons malucos, produzidos por oscliadores a transístor, controlados por dois potenciômetros - um simples mas eficiente exemplo de um sintetizador analógico)... que loucura, saber que se pode fazer essas coisas em casa!!

Adorava a liguagem da revista (assim como vc), coisa que até hoje nunca mais vi igual. O Professor Ronaldo Bêda Marques era uma figura sem igual. Tive a oportunidade de conversar com ele em algumas raras ocasiões, e simplesmente ficava de queixo caído com a simplicidade e genialidade de suas palavras e idéias.
Infelizmente, esse gênio de pessoa veio a falecer já fazem alguns anos, tendo deixado um legado gigantesco atrás de si. Ainda lembro de suas ultimas publicações, como a APE (aprendendo e praticando eletrônica) e algumas publicações editadas por sua própria conta e lançadas pela editora Antenna.
O web site oficial dele ainda se encontra no mesmo formato e com as mesmas informações deixadas por ele em sua última atualização - http://bedamarq.sites.uol.com.br/.

Também guardo até hoje com muito carinho, as minhas coleções da Saber Eletrônica (que como bem apontado por vc, ostentava circuitos muito atraentes, mas poucas vezes funcionais, e usava de uma linguagem totalmente oposta à do Prof. Beda) e Nova Eletrônica (idem - lembro que em meu projeto de formatura do curso técnico baseei-me em parte no circuito do CICLOP da NE, o qual - justamente a parte que eu utilizei - nunca funcionou, e eu nunca consegui descobrir o motivo)...

Mas graças ao meu profundo interesse e amor pela vossa esposa (perdoe-me a franqueza, mas tive um caso com ela), as minhas explicações técnicas foram suficientes para garantir o meu diploma de curso técnico.
Hoje me lembrando de tudo isso, resta-me um só pensamento: quanta saudade daqueles tempos, meu Deus!! Quantas vezes caminhava a esmo pela Rua Santa Efigênia atrás daquele maldito componente de que eu precisava para as minhas montagens, e quanto prazer me dava passar na General Osório, na lojinha do Prof. Beda, e comprar um ou dois kits...

E quanta tristeza, poucos anos atrás, ao ver no que esta rua se transformou... um reflexo claro e direto do que a área de desenvolvimento em eletrônica é hoje no nosso país.

Hoje também trabalho na área de software, mas ainda gosto muito dela, apesar de tudo. São muitas boas lembranças para simplesmente se jogar fora.

Marcio Andrey Oliveira disse...

Jeronimo, obrigado pela visita.

É interessante como muitas pessoas começaram se interessando pela Eletrônica e depois teve que mudar para programação.

Eu tenho acompanhado o teu blog e achado muito interessante o que tens escrito sobre o arduino.

Qualquer hora dessas eu vou montar um pra mim.

[]s.

Marcio Andrey Oliveira disse...

Werner, então tu tiveste a sorte de conhecer o professor Bêda?

Rapaz, está aí uma coisa que eu gostaria de ter conseguido. Infelizmente eu morava em outro estado e não tive essa chance.

Não tens mais brincado com a eletrônica? Nem um flerte, de vez em quando?

Depois que eu voltei a brincar com ela, parece que voltei a ser criança. Uma das melhores terapia que existe.

[]s.

wmoecke disse...

Oi Márcio,

Finalmente me publicaste! Quanda felicidade. ;-D

Bom, vou confessar: nunca a consegui abandonar por completo - até pouco tempo atrás, vira e mexe, me via relendo velhas revistas (de mais de 20 anos atrás, quem diria), e/ou comprando algumas Elektor relançadas (aquelas coletâneas de projetos sao um colírio para os olhos, não são?) ou a mais recente coleção "Circuitos e Soluções" da Saber (que fonte de informações!).

Até pouco tempo, estive envolvido em brincadeiras com o NI Circuit Design Suite, tentando fazer um "Protoboard virtual", colocando meus projetinhos e idéias para funcionar. Em meio à frustração de lidar com a simulação instável e traumática de componentes lineares com o EWB, algumas coisas até q funcionavam bem - antes de me mudar para fora do Brasil, estava em fase de projetar um osciloscópio digital a LEDs usando os bons e velhos 4017 e LM3914 (que não tem nas bibliotecas do EWB), entre amp-ops de entrada, etc e tal... por enquanto, ficou só no papel (ou melhor, arquivo)...

Desde que me mudei, já fazem uns 3 meses, não toquei em mais nada (apesar de ter levado comigo um backup de td, ainda nao consegui um computador decente para instalar as minhas coisas).

Vi que voce fala muito do LTSpice. Como ele é, comparado ao NI Circuit Design Suite? Melhor/pior, mais fácil/mais difícil de usar?

Marcio Andrey Oliveira disse...

Werner, eu te devo desculpas (e a alguns outros amigos que se dispuseram a escrever um comentário).

Eu nunca usei moderação. Há inclusive um comentário muito mal-educado sobre um artigo que publiquei. Tudo bem. Cada um pode dizer o que quiser e da maneira que quiser.

Mas um tempo atrás vi uma reportagem sobre um blogueiro que teve que pagar uma nota a título de indenização a uma professora porque alguém publicou coisas injuriosas a respeito dela no blog dele.

Como não havia moderação, o comentário passou despercebido e o dono do blog foi responsabilizado e penalizado.

Podes ver: aqui.

Aí resolvi moderar os comentários para evitar algo desse tipo.

Só que eu ativei a moderação mas não configurei tudo e aí não recebi nenhuma notificação dos comentários que esperavam notificação.

Acho que agora está tudo ok.

Eu também volta e meia pego as revistas antigas e começo a reler as matérias... engraçado isso... pensei que era só seu, mas pelo que vi muitos que gostam da eletrônica, mas trabalham com outras coisas, tem esses hábitos nostálgicos.

Essa ideia do osciloscópio digital com LEDs é bem legal. Deverias implementá-lo e depois publicar um artigo explicando como ele funciona, como montá-lo, com fotos e vídeos.

Faria o maior sucesso.

O LTspice é muito bom e robusto. A sua utilização não é tão intuitiva quanto o EWB.

Tu não tens "instrumentos", como por exemplo o multímetro para medir tensões DC e osciloscópios para veres as formas de onda.

Tu tens que inserir algumas diretivas do SPICE. Mas tirando isso, eu recomendo que tu aprendas a utilizá-lo.

[]s.

wmoecke disse...

Olá Márcio,

Desculpas nada, companheiro. Eu fiquei imensamente feliz em ver meu comentario finalmente publicado. E concordo em que você tenha um certo controle sobre o que entra em seu blog - afinal de contas, é o SEU blog, e ponto.

Gostaria de comentar um pouco mais acerca de meu breve contato com o grande "Mestre Barbudo" (como ele se autodenominava, em muitas ocasiões). Tive duas oportunidades de conversar com ele, a primeira foi bastante interessante: um dia, passeando pela R. Sta. Efigênia, tive a curiosidade de entrar na EMARK, e após comprar alguns componentes, puxei assunto c/ o balconista acerca de "quem era o proprietário" (como se eu já não soubesse!), ao que a resposta foi, obviamente, a esperada... simulando espanto, indaguei, apontando para as várias DCE e Be-a-Bá empilhadas por toda a lojinha - "o mesmo que escreveu pare essas revistas aí??" - e novamente, tive a redundante confirmação do balconista.

Em seguida, perguntei ao funcionário da lojinha se o "Mestre" se achava no momento, no que tive a decepcionante resposta que naquele dia ele tinha ido visitar clientes para alguns projetos que ele desenvolvia, e não viria para a loja.

O que realmente me espantou, foi o balconista me oferecer o telefone do próprio - "Liga lá mais tarde. Ele gosta de conversar, você pode tirar as suas dúvidas direto com ele".

Saí da loja com aquele papelzinho na mão, como se fosse o mapa da mina. Na mesma noite, liguei - quem atendeu foi o próprio Beda. Com uma voz seca, séria e demonstrando ares de "fale logo, seja direto e não enrole, ou desligo na sua cara", a princípio intimidadora, logo provou que por trás da tal voz, havia uma pessoa de extremo intelecto, e boa vontade (imagine você em seu estúdio ou laboratório: toca o telefone, e a voz do outro lado da linha se apresenta, diz ser um leitor/admirador seu e passa a fazer perguntas - quais as chances de uma conversa dessas durar mais de 5 minutos??).
(continua no próximo comentário...)

wmoecke disse...

(...continuando)
Soube dele vários fatos interessantes - como o dele ter se graduado em arquitetura e jornalismo, e nunca (NUNCA) ter estudado eletrônica na vida (totalmente auto-didata) - fato esse que, como ele próprio me explicou, lhe permitia sugerir e testar em laboratório algumas das mais incomuns e bizarras idéias (e que funcionavam!), como utilizar gates C-MOS para "sentir" cargas elétricas, acoplando uma antena em ambas as suas entradas (lembra do "Eletroscópio C-MOS, que era feito de um 4049 se não me falha a memória, e acendia um LED toda vez que uma carga elétrica era "sentida"??), ou então sentir o toque de um dedo, e por sua vez acionar uma carga via TRIAC ou SCR.

Todas essas idéias eram repudiadas em coro por profissionais técnicos que o escutavam, alegando que "nao funciona, pq queimaria o gate, os C-MOS possuem características elétricas extremamente intolerantes a picos de cargas elétricas", e outras bobagens de quem lê data-sheets como se fossem a Bíblia (e não testa os componentes na prática, com medo de "desperdiçar" alguns poucos Reais)
... ele chegou a me contar que em algumas palestras que deu (se não me engano, na faculdade Mackenzie), grande parte da audiência, que era formada por professores do curso de engenharia daquela instituição, deixou a palestra antes do seu término - que bela oportunidade de aprendizado jogada fora! Daí você tira como o orgulho pode ser nocivo às pessoas: por mais qualificações que se ostente, sempre há espaço para mais conhecimento.


Ele defendia esse pensamento, de que a eletrônica não poderia ser considerada uma ciência exata: como exemplo, ele me fez imaginar um cenário no qual supostamente seriam dispostos 50 cubículos isolados - cada um contendo um projetista - e todos com a mesma proposta de projeto, várias gavetas de componentes, e um tempo predeterminado: ao final, é certo que quase nenhuma das propostas implementadas seria idêntica à outra - consequência da imaginação e intuitividade de cada ser humano. Daí, a afirmação do "Mestre" de que a eletrônica deveria ser considerada mais uma arte do que uma ciência exata.

Estou plenamente de acordo. E você, Márcio, o que pensa?

Marcio Andrey Oliveira disse...

Arquiteto? Jornalista? Sempre pensei que ele fosse engenheiro.

Parece-me quase impossível alguém com o conhecimento do prof. Bêda Marques não ter no mínimo formação técnica em Eletrônica!

Eu teria perguntado para ele: por que ele não cursou Eletrônica?

O fato dele ser jornalista ajuda a explicar o motivo dele escrever tão bem (apesar que nem todo jornalista escreve bem).

wmoecke disse...

Eu creio que deva ter perguntado isso, Márcio. Mas apesar de não ter na lembrança uma resposta clara quanto a isso, percebi pelas coisas que ele me contou que além de alimentar uma certa dose de desgosto pelos profissionais de "alto grau", que em grande parte não o respeitavam por ser "de fora" (e lembrando que assim como você e eu, muitos se tornaram profissionais graduados graças ao interesse pela dona eletrônica, despertado por ele).
Além disso, ele me contou que na época em que cursava a faculdade, não tinha a menor idéia do que queria ser - daí ter cursado duas, completamente diferentes uma da outra. O interesse pela eletrônica veio do interesse por assuntos científicos, bem como a vontade de "fuçar" e descobrir como as coisas funcionavam por dentro.

Se você for pensar bem a respeito, é quase uma unanimidade: aqueles que acabam se tornando profissionais via conhecimento adquirido por vontade e interesse próprios, acabam ficando entre os mais geniais e criativos - tome por exemplo, o Wanderley Caloni, de quem você, assim como eu, lê o blog sobre programação C++ e drivers: ele também nunca teve formação concreta na área de sistemas e/ou computação (ao que me parece, foi algo na área de letras e/ou literatura brasileira - me perdoe, Caloni - é bem provável que eu esteja incorreto quanto a isso), e veja como o homem manja!! Faz C++ dar nó em gravata e fritar ovo...

E na área de eletrônica, quantos eu já tive a oportunidade de conhecer, que aprenderam o ofício das maneiras mais fora-do-padrão imagináveis - lembrei-me do Cláudio César Dias Baptista, que escrevia artigos sobre áudio na Nova Eletrônica, e desenvolvia toda uma linha de equipamentos de áudio (de pedais de efeito a amplificadores e efeitos de luz) de linha profissional, tanto para a Gradiente quanto para a banda do irmão (Os Mutantes).

Em minha humilde opinião, baseada nos anos de experiência que tive até agora, é indiscutível que esses indivíduos se saem muito melhor do que a vasta maioria dos "canudos" acadêmicos, por não terem seguido o curso, que lhes impediria de pensar lateralmente (antes de sairem falando "isso não dá, isso não funciona", eles saem fazendo e acabam descobrindo um jeito de se fazer - que melhor conceito de um Hacker, do que esse??)

Marcio Andrey Oliveira disse...

Realmente, tu disseste tudo: são verdadeiros hackers e aprenderam o que sabem agindo como tais.

Todos os citados são excepcionalmente bons. O Wanderley, com o qual tive o prazer de trabalhar, é muito bom. Queria ter 10% da capacidade e do conhecimento dele.

wmoecke disse...

Voce trabalhou com ele? Então está em melhor nível do que eu. Quem me dera ter a oportunidade de ser colega de trabalho de gente competente assim.

Um dia, quem sabe, eu chego nesse nível.

Marcio Andrey Oliveira disse...

Tibe a sorte de só trabalhar com gente muito melhor que eu.

Trabalhei com o Fernando também. Ele escreve em http://driverentry.com.br/blog/.

Se ainda não conheces, recomendo que leias este blog.

William disse...

Márcio,

Sua história é igual a minha. Formei em eletrônica técnico após anos e anos aprendendo eletrônica apaixonadamente! Mas o que enchem a boca para falar por ae, o tal de mercado de trabalho não tinha espaço para mim! Montei minha eletrônica com 17 anos e vivi recebendo miseravelmente até 19, qdo ingressei em uma faculdade de tecnologia em TI. Um ano depois larguei eletrônica, pois um enchente a levou por água abaixo e hoje trabalho com TI, uma área que gosto, mas meu coração é da eletrônica mesmo.

Hoje resolvi voltar com a eletrônica como hobbista (amável palavra que eu lia frequentemente na DCE), mas nada devolve o meu jeito sonhador e puro dos 12 anos, foleando a revista, trancado no meu quarto, enquanto meus amigos saiam para o futebol, ou para descobrir a adolescência...

Agora no mundo de TI, por mais que temos alguns apaixonados (eu mesmo sou um doido por programação, vejo poucos com real amor... tem essa de fazer sistemas pra empresas e tals... Olhe esse post que fiz no GUJ, fórum famoso de Java:

http://www.guj.com.br/java/230787-alguem-deveria-fazer-uma-revista-legal-sobre-java

Fui em um ponto ali satirizado...

Queria ter vivido essa época da DCE...

Enfim, Márcio, obrigado pelo post, feliz em saber que pessoas como você existem!

OBS: Os comentários também foram muito interessante!

Marcio Andrey Oliveira disse...

Oi, William.

Eu fui no link e li o post. De fato o pessoal não entendeu bem o espirito da coisa...

A DCE, BE-A-BA, entre tantas outras revistas já se foram, mas hoje há muito mais informações disponíveis na internet.

Tem um monte de sites legais, com muita gente que gosta do assunto e disposta a ajudar.

Não podemos ganhar dinheiro com eletrônica? Então vamos nos divertir com ela :)

Como trabalhaste com manutenção, com 100% de certeza tu tens muito o que ensinar nesse ramo.

E que tal começares a fazer algumas montagens, mesmo que simples, mesmo que de projetos de outros colegas, e publicar as tuas experiências?

[]s,
mao

André Luiz disse...

Márcio, achei sua postagem fascinante e nostálgica. Eu também na infância curtí eletrônica nas linhas bem explicadas do grande Ronaldo (Bêda ) Marques. Hoje trablaho comdesenvolvimento de softwware e curto eletrônica como hobbie. Gosto de mascalr as duas coisas . Acho isto altemanet prezeiroso. Um abraço amigo.

Marcio Andrey Oliveira disse...

Olá, André.

Obrigado pela visita e pelos comentários.

Tu costumas publicar na internet os projetos que tu fazes? Seria bem legal.

Quem sabe se todos que gostamos de Eletrônica não acabaremos fundando um clubinho igual aos da época da Bê-a-bá da Eletrônica, DCE...

Daniel Ort disse...

Márcio, um simples parabéns de fato é pouco. Cheguei à sua página em busca de informações sobre a antiga paixão pela eletrônica, reacesa há pouco. Na infância muito fuçei e montei, para minha sorte, minha coleção permaneceu - esquecida é verdade - porém intacta. Profissionalmente segui caminho diverso, pelas veredas da administração, direito e mais recentemente engenharia de software...mas o hobby e a alegria de ver alguns leds simplesmente piscarem ainda é acolhedora. Valeu!

Picco disse...

Olá Marcio,

Nem tudo está perdido, tem revistas aqui:

www.blogdopicco.blogspot.com.br

Um abraço

Marcio Andrey Oliveira disse...

Picco, tu não podes disponibilizar o conteúdo das revistas.

Elas são protegidas por diretiros autorais por até 75 anos após a morte do autor, se não me engano.

Podes ter problemas com as editoras por causa disso.

Picco disse...

Marcio,

Essas revistas estão se perdendo, se não digitalizar e compartilhar vão sumir e seus autores serão esquecidos. Eu tenho o blog desde 2009 e só tive problemas com uma revista e que não é tão conhecida e me baseio no que eu entendi na seguinte lei:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.695.htm

Veja que no artigo 184 paragrafo 4° quanto ao uso sem visar lucros.

Creio que se fosse problema eu já teria recebido algum aviso de alguém.

O maior problema é que tem gente baixando no meu blog e colocando para vender no mercado livre e no site de hospedagem minhateca, apesar de eu ter o blog desde 2009 ainda tem muita gente que procura pelas revistas e nem conhece o blog.

Um abraço

Clayton disse...

Nossa, realmente impressionante a sua história!!! E que por coincidência se rapace muito com a minha (mais comecei mais tarde.... ente 96 - 97)... me lembro como se fosse hoje um vizinho me dando uma pilha de revistas de eletronica... buscava sucatas nas oficinas para tirar os componentes e realizar a minhas montagem!
Quando citou o prof. Beda Marques me lembrei quando o conheci pessoalmente, ele tinha uma pequena e singela loja na rua augusta em são paulo (prox. sta efigenia). Fica ouvindo ele discutir sobre tecnologia com outras pessoas enquanto eu foleavas as revistas que ficavam a disposição nas estantes... passou um filme na minha cabeça! Quantas madrugadas e finais de semana montando transmissores fm, amplificadores de áudio, efeitos sonoros e luminosos etc... o tempo passou e nada mais é como antes, saudades dos velhos tempos... Beda Marques, Newton C Braga... meus grandes mestres!!!